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Internacional

A Prancheta e o Campo: A Evolução Tática do Futebol Brasileiro

A evolução tática não significa o abandono do talento individual

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Photo: Shutterstock

Se o futebol brasileiro encanta com o talento individual e o improviso, sua história também é marcada por uma constante evolução tática. Das formações clássicas do passado às estratégias mais modernas, o futebol do Brasil sempre buscou aprimorar a organização em campo, aliando a genialidade dos seus jogadores a sistemas de jogo eficientes.

Ao longo dos anos, o futebol brasileiro passou por diversas transformações táticas. As formações como o 4-2-4, que consagrou a seleção de 1970, o 4-3-3 e variações que priorizavam o equilíbrio entre defesa e ataque, mostram uma busca incessante por modelos de jogo que potencializassem as qualidades dos elencos. Técnicos visionários deixaram suas marcas, implementando ideias inovadoras e moldando o estilo de diferentes gerações.

A globalização do futebol e o intercâmbio de informações têm influenciado significativamente a evolução tática no Brasil. A incorporação de conceitos e sistemas utilizados em outros centros do futebol mundial, adaptados à cultura e às características dos jogadores brasileiros, enriqueceu o debate tático e proporcionou novas abordagens dentro de campo.

Atualmente, observa-se uma diversidade de estilos táticos nos clubes brasileiros, com equipes que priorizam a posse de bola e a construção de jogadas elaboradas, enquanto outras apostam em transições rápidas e um jogo mais vertical. A marcação sob pressão, a recomposição defensiva e a utilização inteligente dos espaços são elementos cada vez mais presentes no futebol nacional.

A evolução tática não significa o abandono do talento individual, mas sim a sua integração em um contexto coletivo organizado. A capacidade de um jogador de desequilibrar uma partida com um drible ou um passe genial continua sendo valorizada, mas aliada a um sistema tático bem definido, que oferece suporte e explora ao máximo as qualidades de cada atleta. A prancheta e o campo se complementam, mostrando que a inteligência tática é um componente fundamental para o sucesso no futebol brasileiro.

Esporte

André e João Gomes são rebaixados na Inglaterra e isso reabre uma velha pergunta sobre os brasileiros na Europa

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Jogadores brasileiros André e João Gomes com a camisa do Wolverhampton na Premier League
Foto: Getty Images

O Wolverhampton foi rebaixado da Premier League 2025/26. Com apenas 17 pontos em 33 jogos, o clube confirmou o retorno à Championship, a segunda divisão inglesa, e arrastou consigo três brasileiros que chegaram ao clube com status de grande contratação: o volante André, ex-Fluminense campeão da Libertadores, João Gomes, revelação das categorias de base do Flamengo e Pedro Lima, uma das grandes promessas do Sport nesse século.

A queda do Wolves: o que deu errado

A temporada dos Wolves foi uma das piores da história recente do clube na elite inglesa. Em dezembro de 2025, a equipe superou o recorde negativo de maior sequência sem vencer na Premier League, com 18 rodadas consecutivas sem triunfo. O ponto de virada foi a venda do atacante Matheus Cunha ao Manchester United por R$ 472 milhões. O brasileiro foi a espinha dorsal da equipe na temporada anterior, com 17 gols e 6 assistências.

Os reforços contratados para substituí-lo, como o colombiano Jhon Arias, não conseguiram compensar a ausência. A equipe amargou derrotas seguidas e nunca encontrou estabilidade tática, trocando de técnico e acumulando resultados negativos ao longo de toda a temporada.

André e João Gomes: protagonistas em campo, vítimas do coletivo

O drama do rebaixamento não apaga os números individuais especialmente de João Gomes. Em janeiro, o volante ex-Flamengo chegou a liderar oito estatísticas da equipe, entre elas desarmes (52), passes certos (1.000), duelos pelo chão ganhos (100) e minutos jogados (1461). Em um time disfuncional, o brasileiro foi o que mais trabalhou.

André, por sua vez, virou coadjuvante involuntário de uma temporada que prometia muito e entregou pouco. O meio-campista que chegou cercado de expectativas após conquistar a Libertadores com o Fluminense em 2023 viveu em Wolverhampton o cenário oposto ao que imaginava quando deixou o Brasil.

O dilema de sempre: gigante brasileiro ou médio europeu?

O rebaixamento do Wolves reacende um debate que o futebol brasileiro nunca resolveu de verdade. Gabigol verbalizou com clareza: é melhor ser protagonista em um grande clube brasileiro do que figurante em time médio europeu. Pedro e o próprio Gabigol voltaram para o Brasil sem deixar marca na Europa antes de se tornarem ídolos no Flamengo.

Os fatores que empurram os jogadores para fora são reais: a desvalorização do real, a pressão dos clubes brasileiros por caixa rápido, a sedução do sonho europeu e a influência de empresários que lucram com transferências. O problema é que esses fatores raramente levam em conta a qualidade do destino, apenas a existência dele. Sair do Brasil virou quase um reflexo, independentemente de o clube europeu estar subindo ou afundando na tabela.

O problema é que a Europa não é tudo igual. Ir para o Manchester City ou para o Real Madrid é diferente de ir para o Wolverhampton em queda livre. E André e João Gomes aprenderam isso da pior forma: jogando bem demais para um time que nunca teve condições de aproveitá-los.

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Fluminense

Do cigarro do Urso ao porco de Viola: algumas comemorações que o futebol brasileiro não esquece

A comemoração de John Kennedy no último domingo marcou o último capítulo de uma tradição característica do futebol brasileiro.

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John Kennedy comemorando gol.

O Urso fumou, e a internet pegou fogo

O Fluminense venceu o Santos por 3 a 2, na Vila Belmiro, em partida que teve John Kennedy como protagonista absoluto. O atacante entrou no segundo tempo, aqueceu atrás do gol e foi recebido com uma chuva de xingamentos das arquibancadas. “Maconheiro” era o coro mais frequente. Aos 40 minutos, o camisa 9 apareceu na área para completar um cruzamento de Guga e decretar a vitória do Fluminense.

Ao balançar as redes, o jogador simulou o ato de fumar um cigarro, gesto que muitos não entenderam de imediato. Após a partida, John Kennedy passou mal e vomitou no gramado, com a assessoria do clube informando que o quadro foi causado por esforço excessivo.

No futebol brasileiro, não é a primeira vez que uma comemoração rende mais manchetes do que o resultado em si. 

Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Luciano chutou a bandeirinha — e o bom senso

Em julho de 2023, foi a vez de Luciano protagonizar uma das comemorações mais comentadas do ano. O atacante do São Paulo chutou a bandeirinha de escanteio após marcar um gol contra o Corinthians no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, realizado na Neo Química Arena. O árbitro Wilton Pereira Sampaio não achou graça e o puniu com amarelo.

Viola virou porco, mas o Palmeiras deu o troco

Na final do Campeonato Paulista de 1993, no jogo de ida, Viola, do Corinthians, comemorou seu gol da vitória imitando um porco, fazendo menção ao apelido dado pelas torcidas ao Verdão. A cena virou símbolo de ousadia, ou arrogância, dependendo da camisa que você veste. O que veio depois, porém, é uma das maiores lições que o futebol ensinou sobre provocar antes da hora.

Em desvantagem por ter perdido por 1 a 0, o técnico Vanderlei Luxemburgo mostrou o vídeo da comemoração de Viola várias vezes aos jogadores do Palmeiras para motivá-los. No jogo de volta, o Verdão goleou o rival por 4 a 0 e venceu o Paulistão de 1993, encerrando um jejum de 16 anos sem títulos. Nunca uma comemoração de gol funcionou tão bem como motivação para o adversário.

Foto: Agência Estado

O aviãozinho de Zagallo: quando o técnico entrou na dança

Nem só de jogadores vivem as comemorações polêmicas. Em amistoso em Joanesburgo, em abril de 1996, a seleção africana abriu 2 a 0 no primeiro tempo, e o técnico Clive Barker comemorou cada gol fazendo um aviãozinho dentro da lateral do campo. Zagallo assistia, calado, com aquela cara de quem já está calculando o troco. O Brasil virou o jogo no segundo tempo.

Com o gol da virada, Zagallo deu o troco e fez também a dança do aviãozinho, sendo seguido pelos membros da comissão técnica. Um treinador tetracampeão mundial saindo do banco para imitar um avião é, por definição, patrimônio imaterial do futebol. O Velho Lobo soube esperar, aguardou a virada e comemorou efusivamente, voando pelo gramado do estádio em Joanesburgo.

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Esporte

Messi e CR7 fora de campo: a rivalidade que não tem aposentadoria

Dois meses separaram as aquisições de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no futebol espanhol. A maior rivalidade do futebol moderno não parece ter terminado com o apito final.

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Dois craques, dois clubes, uma mesma obsessão

Em fevereiro de 2026, Cristiano Ronaldo adquiriu 25% do UD Almería, clube da segunda divisão espanhola, por meio de sua empresa “CR7 Sports Investments”. Menos de dois meses depois, Lionel Messi oficializou a compra de 100% da Unió Esportiva Cornellà, time da Catalunha que disputa a terceira divisão do Campeonato Espanhol.

A movimentação quase simultânea reacendeu o debate eterno entre torcedores ao redor do mundo. Desta vez, porém, o campo de disputa não é o gramado.

CR7 chega com ambição e conexões sauditas

Ao confirmar o negócio, Ronaldo declarou que sempre teve a ambição de contribuir para o futebol além das quatro linhas e que enxerga no Almería uma fundação sólida e potencial claro de crescimento. O clube briga diretamente pelo acesso à La Liga, e a entrada do português como acionista já movimentou o mercado.

O Almería tem 48 pontos em 27 jornadas e vai na terceira colocação, a apenas dois pontos do líder Racing de Santander, com 15 rodadas ainda por disputar. Ronaldo não vai bater bola nem escalar time — mas traz algo que vale ouro para um clube do interior da Andaluzia: visibilidade global instantânea. 

Foto: Getty Images

Messi volta à Catalunha — desta vez como dono

Do outro lado da Espanha, Messi escolheu um clube com alma. O UE Cornellà, fundado em 1951, tem tradição na revelação de jogadores e já foi porta de entrada para nomes como o goleiro David Raya, do Arsenal, e Jordi Alba, ex-Barcelona. Para o argentino, não é apenas um investimento — é uma declaração de amor à região que o formou como jogador e como pessoa.

O objetivo é claro: subir de divisão e consolidar o projeto esportivo sob nova gestão, com o time já garantido nos playoffs de acesso. O comunicado do clube foi direto ao ponto e cheio de emoção: com a transação, Messi reforça sua estreita relação com Barcelona e seu compromisso com o desenvolvimento do esporte e dos talentos locais na Catalunha.

Foto: Megan Briggs/Getty Images

O confronto direto vai acontecer?

A pergunta que não quer calar: Almería x UE Cornellà, com Messi e CR7 nas arquibancadas opostas, pode rolar? Por ora, o cenário parece mais sonho do que realidade. O clube do argentino disputa uma vaga para a quarta divisão espanhola, enquanto o Almería de Ronaldo briga pelo retorno à primeira divisão. São mundos diferentes dentro de uma mesma Espanha.

Um confronto entre os dois só seria possível na Copa do Rei, competição que mistura clubes de todas as divisões. Enquanto isso não acontece, o torcedor vai ter que se contentar em torcer, ou secar, de longe.

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